domingo, 9 de agosto de 2015

Roberto Cardoso (Maracajá)


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sábado, 18 de julho de 2015

Entre Tríades e Plêiades


Entre Tríades e Plêiades

 

PDF 425
 
Constelações, nebulosas, sistemas solares, e sistemas diversos; astros fixos e navegantes. Um olhar para o céu, e um olhar para um infinito de estrelas. Um olhar para perto, outra infinidade de astros, artistas ou literários, os astros de uma tal cidade. Uns podem passar como cometas, outros giram em torno de um outro astro, aquele que o consideram como uma estrela maior, uma estrela de quinta grandeza, a luz que ilumina seus dias e se oculta formando a noites de estrelas pintadas no céu, para novas ins(pirações). E um evento aconteceu na tal cidade, e no bel local.

O mundo se torna cada vez mais rápido e os eventos se tornam e-ventos, quando sentimos que tudo passa muito rápido. Rápido como um vento que passa, onde só fica a sensação de algo que passou. É preciso tirar fotos para não cair no esquecimento. Já não é suficiente escrever, é preciso ter a foto do lançamento. A prova documental para quem não esteve presente ao momento. A foto como documentação do ato e do fato. Acontecem os lançamentos, e outros lançamentos já estão agendados e aguardados. A palavra lançamento define um ato, e uma velocidade, da condição estática com velocidade zero a uma condição do movimento em direção ao espaço sideral, onde não há o tempo, somente o presente, diante da escuridão. É preciso aterrissar para ver a luz. E um livro foi lançado e fotografado, no seu lançamento, caso contrário sua data, e suas imagens, estariam perdidas no tempo. E na mente dos que ali estiveram presentes, mais ficou uma amostra para os ausentes.

Um lançamento com astros e espaçonaves. Em meio a livros e estantes, rodízios de sólidos e líquidos, com taças de espumantes, passavam em discos voadores sobre as cabeças dos convidados. Instrumentistas e percursionistas, com vozes e instrumentos, quebravam o silencio do ambiente literário, em meio ao burburinho de conversas e declamações. Vieram os poetas e os repentistas, os declamantes, e no chão ali mesmo fizeram seu palco, fizeram a sua rua com suas performances, com gestos e vozes.

A arte, o tempo e o espaço, todos ali presentes. Tempo, passado e tempo presente, com olhos no tempo futuro. O Josué se tornou José permanecendo de Castro, e à gosto no bel lugar devera se relançar. A Mágica de Oz Any, em todos os lugares procura estar. Do Thiago que se fez Gonzaga, à representação genealógica atual de Aluísio de Azevedo. A Sandra letrada e psicóloga, entre estantes, formando corredores de livros, administra, e ainda se faz celeste. E em meio as prateleiras, estantes e livros, um espaço foi aberto. Poderia ser o buraco negro da literatura, um lugar onde não há livros, apenas ideias. Ideias imateriais que um dia ainda podem se materializar em livros. Podem sair de mentes, e das mentes, para que outras mentes possam visualizar, ver, sentir e cheirar; sentir o cheiro de livro novo com ideias novas.

O homem foi feito com o barro, e foi com o Barros que foi realizado o encontro de artistas e poetas. Leitores, produtores e escritores, a cadeia orgânica, fisiológica e literária. A diversidade de ideias e categorias proporcionou uma diversidade de acepipes, da empadinha de ginga com jiló ao suco de seriguela com ramos perfumados de jamelão. Bombons e trufas escondidos em caixinhas, na mais alta categoria, com finas iguarias, como tapurús e rapadura, as iguarias da terra, discriminadas pela alta gastronomia internacional das lesmas e ovas. Tamanha era a diversidade, de livros, salgados e celebridades, ali na Salgado, entre a BR e o (a) Hermes, não importam ruas, estradas ou avenidas, os mitos ou as ideologias. A poucos metros da metade do caminho. No bel lugar de sempre, com portas literárias abertas, bem além das quintas feiras, criando quintas interpretações e dimensões.

A reunião era para confraternização de uma tripulação, três autores e três personagens, tudo é uma questão de pontos de vistas. Uma Tríade estava presente naquele momento, para um novo lançamento. Uma nave do conhecimento, um livro, uma ideia seria lançada. Uma tríade formada por nomes de seres ou indivíduos de sistemas e planetas diversos; como a rainha de Jardia, que esteve com os Maias, personagem de batalhas cinemáticas e intergalácticas. Um representante dos textos bíblicos como Emmanoel, a presença de Deus, e um comandante da nave interestrelar, um nome militar, o Ferreira Fontes na categoria de Major. A tripulação formada por uma tríade estava à postos, cada qual em sua especialidade e categoria, do popular à filosofia, passando pelo fescenino.

E foi no bel lugar, na tal cidade que uma nova ideia foi lançada. A mesma cidade que sempre esteve aberta para portugueses e holandeses, franceses e italianos, americanos e anglicanos. Um dia ela ainda vai se descobrir e construir sua própria identidade. E ela já tem sua base de lançamento, para foguetes e aviões.

 

NAT - Natal
New Amsterdã Terminal
New American Tug

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

di Gestão de Pessoas


di Gestão de Pessoas

 PDF 415 (v.Pk)
 
Alguns povos denominados como primitivos, — pelos povos autodenominados como civilizados —, também foram denominados como canibais. Os povos ou grupos de pessoas, que capturavam seus supostos inimigos e consumiam suas partes, como um gesto ligado a crenças ou religiões. Muitos acreditavam que ao consumir os grandes e poderosos inimigos, os inimigos inteligentes, estariam adquirindo seus poderes e seus conhecimentos. Poderiam inclusive preferir consumir partes anatômicas definidas, como o coração, ou como o cérebro. Por intuição ou certeza, entendiam que o cérebro seria o comando do corpo, e consumindo cérebros de estrategistas inteligentes, poderiam adquirir suas táticas e suas estratégias, consumindo a sua mente. Corações poderiam ser fortes e valentes, ardentes ou gelados. Outros poderiam preferir o fígado. Pensamento valido, ou não, um desafio deixado para a ciência; que ela, a ciência, consuma seus neurônios: suas fagocitoses e suas sinapses.
Em uma receita indígena: churrasco de homem branco. Depois de ensinar os modos de preparo do fogo, da grelha, e da lenha. Atribui como a melhor parte, uma parte muito apreciada pelos índios. A parte compreendida entre os dedos indicadores e os dedos polegares. Parte conhecida na anatomia como tabaqueira. A parte de apoio para fumantes prepararem seus cachimbos, e desfiarem o tabaco, para um cigarro de palha.
Entre a ciência e o empirismo. A ciência é considerada um saber e um conhecimento, por realizar coleta de dados, análises, testes e experimentos, e admitir uma repetição em cima dos resultados obtidos e estimados. Tal como o conhecimento empírico que resiste ao tempo pelas suas repetições. Chás de ervas, com folhas e talos, frutos ou sementes, são do conhecimento empírico. O conhecimento popular, surgido do povo, por darem resultados repetidas vezes, sem estar descrito em planilhas e estatísticas, apenas por observação dos resultados obtidos, repetidas vezes, com diferentes pessoas. E a ciência se apropria do histórico cultural. Uma difusão do conhecimento, por uma informação verbal, a história oral, a construção cultural. E a ciência funciona tal como uma religião. Depois de dados coletados e analisados, resta a fé do evento acontecer, repetir tal como previsto. Tal como suas repetições nas análises passadas.
O empirismo não é esquecido, a crendice é continuada. Tal como a educação e conhecimento são pregados, de serem postergados e continuados. Ainda hoje temos a expressão que ressalta o dizer do desejo, de alguém consumir o fígado de outrem. Sendo o fígado a maior glândula do corpo, com capacidades regenerativas e digestivas. Algumas partes anatômicas poderiam ser consideradas, pelos chamados de canibais, como partes mais nobres, cabendo o consumo a pessoas destacadas e escolhidas. Na Bíblia temos uma passagem: o desejo da cabeça de João Batista (Mateus, 14), o profeta ressuscitado.
Servir a cabeça de alguém em uma bandeja, já pode ter sido considerado hábitos de requinte, de crueldade e selvageria. Inimigos já foram degolados, decapitados e guilhotinados. A cabeça separada do corpo, o ser desconectado do Universo. O Universo como a casa das estrelas e o universo intelectual, contido em seus pensamentos mentais.
No sertão brasileiro, personagens considerados como inimigos dos sistemas políticos, tiveram suas cabeças decepadas, como prova do feito, e a glória da vitória. Lampião e outros cangaceiros, e Antônio Conselheiro, tiveram suas cabeças decepadas, como prova de fim de suas existências, o fim de suas histórias respaldadas pela ciência. A ciência que pretendia descobrir e definir suas ações, ao pesquisar cabeças decepadas em laboratório. A curiosidade da ciência, pesquisar parâmetros para criar suas teorias. Cortaram cabeças em nome da ciência, em nome do conhecimento.
Hoje imagens de cabeças e corpos sem cabeças, são compartilhados e zapeados, em celulares e computadores, em redes sociais ou grupos privados. Em alguns dias na história as cabeças foram expostas e praça públicas, e nos degraus de uma escada, A informação e conhecimento mudam com o tempo e a mídia. Podendo ser aplaudida ou rechaçada.
Daí o homem mudou seus rumos, partiu para um canibalismo de coisas e objetos, frutos de um desejo. Desejos próprios ou fomentados pela propaganda, atiçando os desejos, criando estratégias de consumismo. Criou artefatos que pudessem causar inveja e desejo em quem não os possuía, mas poderia fazer de tudo, e pagar o quanto tivesse para alcançar um objeto de desejo. O desejo de ter algo para facilitar a vida, o desejo de se embelezar, ou o desejo de ter, somente por ter, diante de quem não tem. O simbolismo de um poder, como um carro ou uma joia. A possibilidade de devorar o desejo do outro. O canibalismo do outro pela possibilidade e poder, de obter o desejo, de um e de outro. Excluir o outro, pelo ter um produto que o outro não tem. Inclusive o saber e o conhecimento. Criar histórias e publicar; ter um livro impresso como perpetuação de sua história, a materialização dos personagens descritos, a mobilidade dos que ali estão citados. Ter um livro publicado que o outro não tem.
O ser humano evoluiu a partir de seus próprios pontos de vistas, e não consome carne humana, consome as carnes de outros animais. De crua a defumada; embutida ou enlatada, com marcas e grifes elitizadas. Requintados em sabores e embalagens, acrescentadas de especiarias, raras ou importadas. Com frases na embalagem de ser uma reserva especial. VSOP – Very Special Old Par, para pessoas especiais; VIP – Very Important Persons. RSPV -  Répondez S'il Vous Plaît. As estratégias de pertencer a pequenas classes, classes elitizadas e gourmetizadas. Estratégias de poder, com a exclusão de outros.
Alguns movimentos populares e religiosos pregam o não consumo de carne animal, como um ato de respeito e evolução, dos animais, da humanidade e do mundo, do planeta e do Universo. E novamente a religião. A unificação do Universo, o Universo tornando-se único. E morreu Maria preá, pois só o futuro dirá. E surge outra teoria, a dos universos paralelos; ou a humanidade chegou a um limite, e agora retorna ao ponto inicial. Da grande explosão (Big Bang), a uma lenta implosão, de ideias e conhecimentos.
O ser humano deixou de ser, e ser visto como animal. Passou a ser um ser social, capaz de viver em uma sociedade, a visão de todos por um e um por todos. Formou grupos diferenciados. Casa e casamento, escolaridades, idades e afinidades; clubes e igrejas. Reservas intelectuais com associações profissionais. Os cinco dedos definiram cinco classes ou grupos de envolvimentos: parentesco; vizinhança; escola, colégio ou trabalho; clubes e associações, politicas; igrejas, seitas e religiões.
O homem evolui mais um pouco, e pode ser considerado um ser intelectual, passando a servir cabeças em bandejas simbólicas, de prata, finamente decoradas e manufaturadas. Mudaram as estratégias de poderes. Exclui outros, por ter um canudo de papel. O antigo papel de escritas, enrolado como um pergaminho. Universidades invisíveis. Criam-se estratégias de limitar os possuidores do canudo. Canudos diferenciados, escalonados, diplomas e certificados. Especializados, mestrados e doutorados. E os doutores temendo a disputa no topo da pirâmide que ocupavam, criaram mais outro degrau, o dos pós-doutorados. Novas disputas em conseguir quantidades de pós-doutorados.
Professores tem poderes degoladores, reprovadores. Um fato comum antes de provas em escolas e faculdades, é a expressão “cabeças vão rolar”. Cortam cabeças em nome do conhecimento, estratégias dos séculos passados. O poder de aferir um zero na prova apresentada. O aluno deve responder na prova as palavras mais exatas, e mais próximas do que as que o professor tenha falado, caso contrário poderá ser degolado, e com muitas reprovações será jubilado, excluído do meio acadêmico. O domínio e o poder do professor articulado com o sistema opressor e dominador do saber, associado a instituições públicas e particulares de saberes. O conhecimento ditado e repassado. Cada aluno tem a opção de assimilar ou não.
A academia do conhecimento como detentora de um saber, apropriada de um conhecimento que não produziu, apenas anotou e escreveu. Descreveu e publicou, seja em livros ou apostilas, em revistas especializadas. A escrita como um domínio, sobre o saber oral. E o aluno ainda é cobrado saber a lição na ponta da língua, além de produzir um documento escrito, que possa ser conferido. A prova, como prova legal de seu conhecimento. O repasse da responsabilidade do ônus da prova, o ônus de quem acusa. A prova corrigida por alguém, que detém um suposto conhecimento. Mas o conhecimento está nas ruas, fora das salas de aulas. O conhecimento está literalmente nas mãos, ao alcance dos olhos.
Depois da academia do conhecimento, da universidade ou da faculdade, outros grilhões. O homem intelectual com outras estratégias. O homem detentor de um capital financeiro, com a busca de deter uma capital intelectual. Estratégias e ferramentas agora admitidas, consome e suga as forças de outros humanos, não declarados como inimigos, mas declarados no PIS, como funcionários e colaboradores. Caso não se comportem como o desejado, aí sim serão inimigos e podem ser banidos, exilados ou expulsos de uma empresa com o título de demitido. Um título que macula seu currículo. Anos de trabalho podem ser jogados fora com uma CTPS carimbada.
 
Entre Natal/RN e Parnamirim/RN, 1 de julho de 2015
 
 
 
 
Roberto Cardoso (Maracajá)

ü  IHGRN – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte

ü  INRGN – Instituto Norte-rio-grandense de Genealogia   

ü  PREMIO DESTAQUES DO MERCADO na categoria Colunista em Informática – 2013.

ü  PREMIO DESTAQUES DO MERCADO na categoria Colunista em Informática – 2014.

ü  Escritor; Ensaísta; Articulista

ü  Jornalista Científico (FAPERN-UFRN-CNPq).

ü  Desenvolvedor de Komunikologia.

PDF 415 (v.Pk)

 

Texto publicado em:



 

terça-feira, 23 de junho de 2015

A contabilidade nas mãos


A contabilidade nas mãos 

 PDF 410

 - A primeira conta de um conto (*)  
PDF  238

- A segunda conta de um conto (**)  
PDF  267

(*) Texto publicado originalmente em mídia impressa: Contabilidade em Revista, página 12. Ano 1 – N°01 – Outubro/2014 – Natal/RN.  
(**) Texto enviado para publicação em mídia impressa: Contabilidade em Revista.  Ano 1 – N°02 – Novembro/2014 – Natal/RN.  



Dois textos, duas partes. Duas mãos, duas partes e duas porções. Um punhado de ideias. Um conhecimento que circula nas ruas, a partir do conhecimento do povo. As estratégias do povo para construir a informação e o conhecimento, a cultura de um povo. Sobre uma mão de milho. A justificativa de uma mão de milho corresponder a cinquenta espigas. O conhecimento perdido na história e nas ruas.

A academia do conhecimento se apropria do conhecimento do povo, e domina um conhecimento como sendo seu, produzido por seus pensadores acadêmicos. Daí então formata e relata ao seu modo e critérios. Fazendo o conhecimento apropriado circular em um meio denominado como científico, formado por pensadores formados, com suas estratégias e instrumentos, academia e pensamentos. A cultura e o conhecimento emanam do povo. Danças e canções são as estratégias do povo para transmitir um conhecimento, de geração para geração, de um lugar para outro lugar.

 


A primeira conta de um conto (*)    

Contabilidade em Revista. Mais uma revista colocando e levando, o conhecimento às mãos. A informação contábil vista com auxílio das mãos, revista e revisada, atualizada nas mãos. Mãos que tocam, escrevem, digitam, folheiam e somam.
O conhecimento chega pelo auxílio e manuseio das mãos. São as mãos com auxílio dos braços que chegam mais longe, e alcançam estantes ou prateleiras, para pegar um livro ou uma revista. Sobre uma mesa ou balcão, são as mãos que com o auxílio dos dedos, que seguram e manuseiam revistas e livros. Folheando e passando as páginas, para que os olhos possam escanear e compreender símbolos e imagens. O que está escrito e divulgado, nos textos, nos artigos, nas imagens, e nos serviços prestados pelos anunciantes. Ainda que sem um apoio, para livros ou revistas, as mãos e os dedos fazem o desfile de símbolos e imagens para os olhos. 

As mãos e os dedos manuseiam teclados de aparelhos conectados a internet, para obter informações e conhecimentos, para serem colocados diante dos olhos. Tal como um passar de dedos para mudar de página, um passar de dedos muda de mensagem. A repetição dos gestos em livros e revistas, para os computadores e comunicadores de mão.
A visão levará ao cérebro as informações contidas nas imagens. Informação e conhecimento para ser armazenado e processado, em situações momentâneas e situações futuras. Um dia o contador foi conhecido como guarda-livros, hoje ele guarda informações e conhecimentos.

As imagens antigas e encontradas, pintadas em cavernas e paredões de pedra, foram feitas pelas mãos de quem queria passar uma informação aos que ali estavam presentes. Ou mesmo para aqueles que ainda chegariam para obter informações, no abrigo do conhecimento. Até hoje os professores repetem o gesto de escrever e descrever em paredes. Em locais abrigados do tempo e da chuva, denominados agora como escolas e colégios.
Quanto o homem deixou de ser nômade, fixou-se em uma habitação. Ali no entorno pode plantar e criar. Com a mão e um dedo apontou a direção. Com as mãos colheu e caçou, domesticou e domou plantas e animais. Plantou e criou, colheu e coletou plantas e animais. 

E foi com o auxílio das mãos e dos dedos que pode contabilizar seus animais e sua produção. Contou nos dedos suas tarefas e produções. Quando sua criação ou produção alcançou números maiores que dez, com auxílio das mãos pode juntar pequenas pedras e fazer pequenos montes de dez. Mesmo sem conhecer ou reconhecer os números, seus olhos podiam fazer comparações, nas porções amontoadas. Com quem folheia uma publicação, com um passar de pedras de um lado para o outro pode calcular seus conhecimentos e contabilizar seus bens.  

Entre Natal e Parnamirim/RN ─ 19/08/2014

 (*) Texto publicado originalmente em mídia impressa: Contabilidade em Revista, página 12. Ano 1 – N°01 – Outubro/2014 – Natal/RN.  

 A segunda conta de um conto (**)
A contabilidade começa pelas mãos. Independente de valores financeiros ou comerciais. O homem comerciante, praticando escambo, desde há muito tempo precisava contabilizar suas posses, e pode contabilizar seus estoques com as mãos. Sem a existência de uma moeda de troca era necessário contabilizar estoques. Para usos próprios e escambos entre outros comerciantes.

E cada qual estabelece os valores de suas tarefas, de seus trabalhos de criação e de colheita, para determinar valores e necessidades. Cada qual estima o quanto custou seus esforços e seu suor, o quanto vale aquilo que produziu. E o quanto pode pagar pelo que não produziu, mas precisa. Estratégias para fazer um escambo, uma troca entre mercadorias diferentes.
Há indícios bíblicos de que a contabilidade começou há muitos anos, antes da Era Cristã. Reis e rainhas precisavam controlar seus súditos e seu reinado, diante de fortunas e bens acumulados. E se algo acontece em um ponto do globo, acontece também em outro ponto do globo. Uma ideia pode surgir em vários pontos do planeta. Prevalece o conhecimento, daquele que fez anotações e pode transportar seu conhecimento. A história escrita prevalece sobre a história oral. E para entender algo que não foi escrito, é preciso se transportar no tempo, pensar como alguém de um determinado tempo possa ter pensado ou imaginado. Atravessar o tempo tal como arqueólogos fazem. Montando quebra cabeças com peças encontradas. 

Todos sabem afirmar que uma mão de milho corresponde a cinquenta espigas. Mas ninguém sabe dizer onde começou; de onde vem esta história de uma mão de milho corresponder a cinquenta espigas. Assim podemos partir de uma dedução para criar uma explicação. Aquilo que não se sabe, analisa-se e interpreta-se. 
Vamos supor que em um tempo distante, pessoas cultivassem milho e desejassem negociar. Levavam sua produção para as feiras que aconteciam em outras cidades. Vamos supor que os negociantes não soubessem contar, não soubessem usar os algarismos, e muito menos executar operações aritméticas. Para efetuar negociações tinham que criar estratégias. Estratégias que tivessem a certeza de não estar sendo lesado. Alguém lá neste tempo distante levou sua produção para uma feira, e teve a ideia de formar lotes de espigas de milho. Como não sabia contar e usar os números, então usou os dedos, e fez lotes de espigas. Uma certeza ele tinha, a quantidade de dedos que tinha nas mãos, o interessado em adquirir o milho também tinha. Assim formou lotes de dez espigas, montando 4-3-2-1 espigas. Montou lotes tal como a quantidade de dedos nas mãos. Talvez dez espigas até pudessem ser carregadas com o auxílio das duas mãos. 

O interessado em adquirir espigas, como não sabia contar também, usou os dedos para se comunicar, uma comunicação matemática. Com uma mão espalmada, e a outra segurando rédeas, declarou ao dono das espigas que desejava cinco lotes. Cinco dedos, cinco lotes. Como cada lote montado tinha dez espigas, o interessado em adquirir milho, levou cinco lotes de dez espigas, totalizando cinquenta espigas.
E assim fica teorizada a origem de uma mão de milho corresponder a cinquenta espigas. Inventamos? Não! Teorizamos. E quem tiver uma ideia melhor que apresente.

 Rio de Janeiro/RJ ─ 13/10/2014

(**) Texto enviado para publicação em mídia impressa: Contabilidade em Revista. Ano 1 – N°02 – Novembro/2014 – Natal/RN.  
 
A contabilidade nas mãos 
PDF 410 – Versão para Publikador.
 Entre Natal/RN e Parnamirim/RN, 23 de junho de 2015
 
 
Roberto Cardoso (Maracajá)
ü  IHGRN – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
ü  INRGN – Instituto Norte-rio-grandense de Genealogia    
ü  PREMIO DESTAQUES DO MERCADO na categoria Colunista em Informática – 2013.
ü  PREMIO DESTAQUES DO MERCADO na categoria Colunista em Informática – 2014.
ü  Escritor; Ensaísta; Articulista
ü  Jornalista Científico (FAPERN-UFRN-CNPq).
ü  Desenvolvedor de Komunikologia.
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sábado, 9 de maio de 2015

Proteínas, portas e janelas



Proteínas, portas e janelas



O crescimento e o desenvolvimento do ser humano estão associados ao consumo de proteínas, teorias nutricionistas dão conta desta ideia. Não só o crescimento corporal, mas também o desenvolvimento intelectual. Células abrem portas ou janelas para entrada de nutrientes, e saídas de desnutrientes. Proteínas circulam pelo sangue e pelas células, depois de passar em válvulas do coração e ter contato com o ar nos pulmões. Sequencias de portas e janelas, do equilíbrio da bomba sódio-potássio às janelas da imensidão celeste. 

O primeiro produto pensado para levar em jornadas e cavalgadas é a proteína animal, conservada pelo sal. Na falta de uma caça, o viajante tem como garantia proteica: o charque, a carne seca ou a carne de sol.  Uma manta de carne, com uso do sal produzido por uma tecnologia bastante simples; uma manta de carne benzida e abençoada por uma exposição ao tempo e ao sol. Mantas de carnes adicionadas de certa quantidade de sal, e expostas ao sol, como uma benção que vinda do céu, abençoa o alimento da viagem. Carreteiros e tropeiros criaram uma gastronomia, confeccionada em uma única panela, com arroz ou feijão, e uma carne conservada, ou maturada. Uma mistura de conhecimento e alimentação.

Em um determinado momento da história, e em determinado ponto do planeta, viajantes do deserto resolveram levar leite em um recipiente confeccionado com vísceras de animais. O leite talhou, e ainda assim os viajantes experimentaram e gostaram. Assim foi inventada a coalhada, passaram então a levar o leite que talhava, em suas travessias no deserto. Mais uma vez a proteína de origem animal, a caminho do desconhecido e do conhecimento. Com vísceras de animais, se faz o talho do leite para produzir queijos, bem antes do talho químico hoje comercializado.

O caboclo, o sertanejo sai pelo sertão, pelo serrado, e pela caatinga, em busca de mercadorias e conhecimentos, levando em seu bornal a garantia de uma sobrevivência com: carne, farinha e rapadura. Conhecimentos ele encontra pelo caminho, com raízes, folhas e frutos, seus usos e seus abusos. Aprendeu e aprende por experiências próprias, informações de outros, e observação dos animais. Cangaceiros do bando de Lampião construíram um conhecimento atravessando sertões, de onde tiravam bebidas, comidas e medicação.

O cérebro também abre portas e janelas para adquirir um conhecimento. Com informações sensoriais é possível construir um conhecimento. O corpo humano é um ser vivo dotado de inteligência e mobilidade, que aumenta com o crescimento corporal e intelectual. A carência de proteínas pode causar danos irreversíveis à formação fetal, ao crescimento pueril e estudantil, ao crescimento social e intelectual. E o homem é um ser nômade que anda sempre à procura de alimentos e conhecimentos. Desde o período de busca de caças, que finalizava e terminava fazendo uma fogueira para assar ou cozinhar em acampamentos improvisados; chega hoje aos períodos de um passeio na caça de compras e ofertas em um shopping, terminando com um lanche na praça de alimentação, e depois pegar suas montarias, com medidas em HP, em baias de estábulos, agora denominados de estacionamentos.

Cansado ou acuado em cavernas, o homem primitivo saia periodicamente em busca de alimentos e conhecimentos, quebrando o mito da caverna de interpretações em sombras. Abandonou as cavernas e construiu seus próprios abrigos em seus caminhos. Conseguiu mobilidade ao deixar de habitar cavernas e construir abrigos. Aprendeu a construir abrigos quando precisou ir mais longe buscar alimentos e conhecimentos. O frio o forçou a produzir agasalhos, com as sobras dos alimentos, peles e couros foram os primeiros agasalhos, para se proteger do frio e dos espinhos no caminho. Criou abrigos e acampamentos abertos e arejados possibilitando observar o ambiente á sua volta, sempre atento a sons, cheiros e alcances visuais. À medida que evoluiu seu conhecimento, isolou-se novamente em novas cavernas artificiais, casas e apartamentos, tal como fazia em cavernas naturais. Agora com modernidades e tecnologias pode acessar o mundo externo. Janelas possibilitaram a continuar a ver o que acontecia do lado de fora, e câmeras complementam seus olhares. 

Em uma casa ou uma universidade, cheia de portas e janelas há espaços para o ar circular. Escritórios fechados e sem janelas costumam ser especializados em apenas um assunto, ou mais comumente, desenvolver parte de um assunto. Há um ar artificial circulando por dutos de ar condicionado e terminais de computador. Seus funcionários funcionam por comandos de ordens de serviço (OS), encerram suas tarefas sobre determinado assunto, e passam para o departamento seguinte. Funcionários que não cumprem suas OSs podem ser deletados, excluídos dos arquivos constantes no RH, antes que se tornem vírus e contaminem os processos e as pessoas.

Uma universidade sempre está aberta para o universo, deve formar um conhecimento plural. Água parada cria lodo, pedra que rola perde as arestas e tende a criar uma forma esférica, que facilita cada vez mais seu rolamento para chegar a outro lugar, quebrando sua estática posição de inerte.

Casebres com pequenas portas e pequenas janelas, estão associados a regiões pobres e carentes, com uma população de baixa renda e poucos recursos, por muitas vezes sobrevivendo do que pode ser retirado de locais próximos como aterros sanitários, depósitos de coisas velhas e solos esturricados pela seca. Casas sem ventilação e sem informação, sem iluminação e sem refeição.

Uma boa alimentação está associada a um bom rendimento escolar; e bons resultados em empresas. Refeitórios e restaurantes em escolas e empresas contribuem com um bom desempenho. Bons rendimentos e boas remunerações tendem a novos hábitos alimentares evoluídos por uma gastronomia. O modelo food truck começa a tomar conta do país levando saberes e sabores ás ruas por meio de uma gourmetização dos produtos já existentes. Até a tapioca ganha novos sabores com novos recheios. 

Quando tudo acaba em pizza, coberturas diversas são solicitadas. Arroz com feijão, e rapadura com farinha são alimentos para uma sobrevivência, para não morrer de fome, tal como rações em períodos de guerra, quando não há como ter um rancho para alimentar adequadamente soldados no front de guerra. As tropas têm um melhor desempenho quando bem alimentadas. Comandantes são sempre bem alimentados, com conforto e exclusividade em seus cardápios, já que ocupam posições de comando na paz ou na guerra.

Saberes e sabores estão relacionados desde os tempos bíblicos relatados em Gênese, quando Deus deu permissão a Adão e Eva, de provar todos os frutos que estivessem no jardim do Edem. Exceto um, que lhes proporcionou um maior conhecimento.  O fruto que estava localizado no meio do jardim, tal como um processador em uma placa verde, a placa mãe, enquanto o paraíso terrestre estava na mãe terra. 

Se Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, o homem fez o computador a sua imagem e semelhança. Um computador processa seus dados como um homem processa seus pensamentos, buscando arquivos na memória. E se arquivos de saberes e sabores não foram instalados em HDs cerebrais, quando portas e janelas estavam abertas, não há como encontra-los, quando deles precisa-los. 

É por entradas e saídas, portas e janelas que um computador recebe ou envia dados. Com prótons e bytes circulam informações e conhecimentos entre seus chips celulares, e suas memórias.