segunda-feira, 27 de junho de 2016

Foliões já foram gametas

Foliões já foram gametas
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Um grupo de foliões, distantes de seus tempos de gametas, participantes de redes sociais diversas, passaram o dia em uma granja, onde não haviam ovos ou galinhas, lá para as bandas da Zona Norte, do outro lado da ponte, nova ou velha, as margens de um regato potiguar. Tinha rede de fofocas, rede de poetas, rede de instrumentistas e redes de cantores. Todos faziam parte de uma grande rede cultural. Tinha até contadoras de histórias, com madrinhas e sobrinhas. Não tinha rede de intrigas.

Enquanto a TV mostrava a banda potiguar ‘Plutão já foi Planeta’, personagens do Satélite, da Floresta e de outros lugares do Universo, formavam uma Quadrilha improvisada no Araiá de Matias e de Diná. E até a natureza participou da dança quadrilha no momento da animação, quando o dirigente, animador e marcador da quadrilha falava “olha a chuva…” E a chuva fina persistia. O marcador estava proibido de falar em uma bandeira, a bandeira da cultura, e levou a animação sem dar bandeira. A cultura era por imersão.

Saberes e sabores estiveram presentes, tal como todo lugar onde é disseminado o conhecimento. Onde há sabores a serem provados há conhecimentos novos a serem conhecidos e adquiridos. Tinha comida tipica e regional, do local,  e de outros lugares do Brasil. E os temperos surgem para um argumento de criar uma conversa, quem gosta e quem não gosta, demostrando os gostos e as diferenças. Tal como os que adoram coentro e outros que detestam, preferindo a salsa, na comida ou na pista de dança. Uns preferem coisas quentes, mas los outros la preferem caliente.

A festa começou na cozinha, o local do receptivo, para as comitivas que chegavam e dirigiu-se para a capela. Uns tangiam os outros até a escada da capela. Na capela não tinha padre, mas tinha contadora, que contou historias e passou um sermão, sobres contos mal contados, que perpetuam na história, nem havia necessidade de padre. A madre das histórias distribuiu docinhos da sorte, pois não havia hóstia. O casamento aconteceria mais tarde, a noiva ainda não estava arrumada, pois vinha do interior do estado. E ainda também não havia chegado o pai da nova, armado de rabeca e de facão. Foi contada algumas das histórias na igrejinha, sobre São Francisco, o de Assis, o de Pádua e o de São João, santo elegido e pintado em uma grande tela, em uma das paredes do altar da capela.

Depois da capela, tal como toda reunião formalizada e realizada em uma igreja, a festa e seus convidados seguiram para área de lazer, como a comemoração de um ato, a comemoração de um fato. A confraternização de todos que estavam presentes. Era o principal objetivo do encontro, do evento.

E o conhecimento continuou a ser difundido, tal como o preceito bíblico. Crescei e multiplicai, que um dia já foi entendido como o numero de seres humanos, mas hoje refere-se a crescer e multiplicar o conhecimento, repartindo com todos, tal como o alimento. O peixe e o pão, o conhecimento, pescado, amassado e sovado. Com o ato de amassar e sovar a massa, modificamos o conhecimento, misturando ideias e o fazendo crescer, dobrar o volume. O conhecimento é mais facilmente compartilhado ao redor de uma mesa, de professores ou refeição. E professoras ali não faltavam. Tinha até uma tipica arengueira, sempre procurando organizar uma fila, e zangando com que não esta sentado.

Chapeuzinho Vermelho chegou com uma cestinha contendo camarões coletados no caminho, nas margens do rio Pium. Outras encontraram um frango atropelado e assado no meio da estrada. O cuscuz paulista chegou escoltado pela Pancari, como carga perecível e perigosa. Teve ostentação com oferta de feijoada. Paçoca, munguzá doce ou salgado e escondidinho. No meio de uma mata sobre um prato de alface, e outras folhagens diversas,  Chapeuzinho perdeu seu garfo, ela ainda se confunde na floresta.

Com improviso da pescaria, trocou-se varas por pau e gravetos. Com iscas diversas conseguiu-se alguma pesca, de livros e conhecimentos. Até uma parceira, para a dança da quadrilha, foi pescada. Mordeu o anzol e caiu na isca. E como toda festa junina não falta uma rifa, ela também aconteceu, com uma cesta de alimentos típicos. Nem precisou a ratinha furar as embalagens, para achar milho e fubá, ela ganhou a rifa da cesta de alimentos. A arrecadação foi em prol da APAFIS. Era só dois real de cada matuto.

A mesa era farta e a casa era santa. Todos estavam convidados a provar tudo que estivesse sobre a mesa. Apenas os frutos no meio do jardim não estavam permitidos. E caso houvesse uma prova, de um fruto proibido, o deus local expulsaria o casal daquele paraíso. Buscar outras terras, atras de melhores dias.

Texto em:



Rn, 27/06/16      
por ​  ​ Roberto Cardoso (Maracajá)      
Colunista em  Informática em Revista
Colaborador de jornais e revistas    
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Reiki Master & Karuna Reiki Master    
Jornalista Científico FAPERN/UFRN/CNPq    
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